Eu sou um niilista e isso não me impede de sempre tentar ajudar a evitar ou aliviar o sofrimento, seja de quem for.
A vida não tem sentido, eu dou o sentido que quiser a minha vida.
Mas o sofrimento existe, as sensações de dor e desespero existem, e todas as criaturas vivas sofrem.
Enquanto estou aqui, vivo, por que não trabalhar, sozinho ou em conjunto com outras pessoas, para tentar aliviar o sofrimento?
No link abaixo temos um exemplo de pessoas que se doaram para salvar outras.
Tem gente que escolhe adorar um Deus, já eu adoro cada um desses seres humanos.
Esses heróis que colocaram tudo o que tinham a serviço do próximo, que tudo abandonaram para fazer o que fosse necessário, para salvar quem não conheciam, para salvar até mesmo seus inimigos.
Nessa hora, nenhum deles julgou ninguém, apenas se dedicaram a ajudar, a salvar.
Me recuso a cultuar um ser que, do céu ou de sei lá onde, fica esperando e observando as pessoas para julgá-las em vez de socorrê-las quando precisam.
O verdadeiro bem se faz na hora H, o verdadeiro herói não deixa outro ser senciente sozinho, sofrendo, e fica lá observando.
Quando a humanidade vai deixar de contar lorotas para si mesma e vai sacudir a poeira para trabalhar pelo verdadeiro bem comum?
segunda-feira, 17 de junho de 2019
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Amor cristão
Certa vez ao ouvir de uma senhora crente aquela velha pregação de sempre sobre céu, inferno e que Jesus teria vindo para nos salvar, lhe questionei:
"Senhora, me diga uma coisa.
Imagine que a senhora, que é crente, tem um filho ateu.
Ambos pegam um elevador.
Nesse momento acontece um forte terremoto, falta luz e o elevador trava.
A senhora e seu filho, presos no elevador, percebem que não escaparão dali, pois o prédio começa a desabar.
Ambos se desesperam.
A senhora então tenta pela última vez pregar para ele, para que ele aceite o tal Jesus e seja salvo.
Mas ele que é ateu, não aceita, rejeita Jesus.
Infelizmente o prédio desaba e morrem os dois.
A senhora que aceitou Jesus vai pro céu e seu filho, infelizmente, vai para o inferno.
Como a senhora será feliz no céu sabendo que seu amado filho foi para o inferno?"
E lá veio a resposta:
"Ah, meu filho, deixa, lá no céu você nem vai lembrar dessas pessoas."
segunda-feira, 27 de maio de 2019
Vazio existencial
Quando olho para a imensidão do Universo, fico pensando:
Se só existir vida inteligente na Terra, que desperdício seria o Universo.
Se existir vida inteligente espalhada pelo Universo, imagino o tamanho do vazio existencial de todas essas criaturas.
Por que o ser humano fica procurando sentido em algo externo?
Por que ter medo desse vazio existencial?
Sejamos felizes aqui e agora, ajudando o próximo a diminuir seu sofrimento, usufruindo com equilíbrio da nossa existência.
A vida é maravilhosa e fica melhor ainda quando temos menos apegos.
Mas quando a vida acabar, acabou.
Qual o problema?
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Buda era mesmo o demônio
Desde criança sempre abominei as histórias da bíblia, contadas com soberba pelos cristãos.
Odiava ouvir aquelas histórias com pessoas sendo torturadas física e psicologicamente pelo Deus, com crianças e animais sendo assassinados, histórias de genocídio, de doenças, de maldições e pragas.
Odiava ouvir aquelas histórias com pessoas sendo torturadas física e psicologicamente pelo Deus, com crianças e animais sendo assassinados, histórias de genocídio, de doenças, de maldições e pragas.
Lendo a bíblia, desenvolvi uma imensa compaixão pelo Jó.
E também uma imensa revolta contra o Deus cristão, que hoje chamo de "o demônio Deus".
E também uma imensa revolta contra o Deus cristão, que hoje chamo de "o demônio Deus".
Quando alguém contava uma história desse tipo, eu sempre contava outra com exemplos mais tranquilos.
Certa vez, ao terminar de contar a história abaixo a um cristão, ouvi em seguida:
"Buda era mesmo o demônio, ainda bem que nós temos Jesus, nosso salvador que morreu por nós".
Fiquei estupefato, e a primeira frase que me ocorreu foi "Nós quem, cara pálida?"
Eu era adolescente, tinha uns 15 anos, e a partir desse momento tive certeza absoluta de que eu jamais seria um cristão.
Coversa entre Buda e o Angulimala, um assassino.
“Angulimala, eu parei de cometer atos que causam sofrimento a outros seres vivos há muito tempo. Aprendi a proteger a vida, as vidas de todos os seres, não apenas humanos. Angulimala, todos os seres querem viver. Todos temem a morte. Devemos nutrir um coração de compaixão e proteger as vidas de todos os seres”.
“Seres humanos não se amam. Porque eu deveria amar outras pessoas? Humanos são cruéis e enganadores. Não descansarei até que tenha matado todos eles”.
O Buda então falou gentilmente, “Angulimala, eu sei que você sofreu profundamente nas mãos de outros humanos. Às vezes os humanos podem ser muito cruéis. Essa crueldade é resultado da ignorância, do ódio, do desejo e da inveja. Mas os humanos também podem ser compreensivos e compassivos. Meu caminho pode transformar crueldade em bondade. O ódio é o caminho em que você está agora. Você deveria parar. Ao invés, escolha o caminho do perdão, da compreensão e do amor”.
Angulimala ficou mexido com as palavras do monge. Ainda assim sua mente estava mergulhada em confusão. O monge olhou para Angulimala como se ele uma pessoa íntegra e digna de respeito. Angulimala perguntou: “Você é o monge Gautama?”.
O Buda consentiu.
Angulimala disse, “É uma pena não encontrei você antes. Já fui longe demais no meu caminho de destruição. Não é mais possível voltar atrás”.
O Buda disse, “Não, Angulimala, nunca é tarde demais para fazer um ato bom”.
“Que ato bom eu seria capaz fazer?”
“Pare de viajar pela estrada do ódio e da violência. Esse seria o maior ato de todos. Angulimala, embora o mar do sofrimento seja imenso, olhe para trás e você verá a margem”.
“Gautama, mesmo que eu quisesse, eu não poderia voltar atrás agora. Ninguém me deixaria viver em paz depois de tudo que fiz”.
O Buda pegou a mão de Angulimala e disse, “Angulimala, eu o protegerei se você fizer o voto de abandonar sua mente de ódio e se dedicar ao estudo e prática do Caminho. Tome o voto de começar de novo e de servir aos outros. E fácil ver que você é um homem de inteligência. Não tenho dúvida que você poderia conquistar o caminho da realização”.
Angulimala se ajoelhou perante Buda. Ele removeu sua espada de suas costas, colocou-a na terra, e se prostrou aos pés do Buda. Cobriu seu rosto com as mãos e começou a soluçar. Depois de um bom tempo, ele olhou pra cima e disse, “Faço votos de abandonar meu caminho maligno. Seguirei você e aprenderei compaixão de você”.
sábado, 27 de abril de 2019
segunda-feira, 25 de março de 2019
As três respostas
Autor: Tolstoy
Esta é a estória das três perguntas do imperador.
Ele poderia continuar a reinar satisfeito, sem o risco de cometer nenhuma falha, somente se conseguisse a resposta para as seguintes perguntas:
Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?
O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse capaz de responder às perguntas.
Inúmeras pessoas se dirigiram ao palácio oferecendo diferentes respostas.
Em resposta à primeira pergunta, alguém aconselhou o imperador a fazer um planejamento completo, dedicando todas as horas, dias, meses e ano a certas tarefas constantes da programação elaborada e observá-lo ao pé da letra.
Só assim teria ele possibilidade de fazer cada coisa no tempo certo.
Uma segunda pessoa respondeu que seria impossível planejar com antecedência, que deveria deixar todo e qualquer divertimento vão de lado e permanecer atento a tudo, a fim de saber o que fazer na hora certa.
Uma terceira disse que o imperador jamais poderia, por si próprio, ter a previsão e competência necessária para decidir quando fazer cada coisa, e que o que ele realmente precisava era constituir um conselho de sábios e agir de acordo com o que fosse determinado por estes.
Uma quarta, enfim, disse que certos assuntos requeriam providências imediatas, não podendo assim esperar por decisão de conselho, mas se o imperador quisesse saber dos acontecimentos com antecedência, deveria consultar mágicos e adivinhos.
As respostas à segunda perguntam também não foram satisfatórias.
Uma pessoa disse que o imperador devia depositar toda sua confiança nos administradores, outra, nos padres e monges, outra, nos médicos, e, outras ainda, nos guerreiros.
A terceira pergunta trouxe uma variedade similar de respostas.
Alguns disseram que a coisa mais importante a fazer era a ciência.
Outros falaram em religião.
Outros ainda achavam que a coisa mais importante era a arte bélica.
Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.
Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado.
Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres.
Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. Disfarçado de camponês, o imperador ordenou aos seus criados que o esperassem ao pé da montanha enquanto ele subiria sozinho.
Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador o viu lavrando a terra da horta em frente à sua pequena cabana.
Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar.
O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, e toda vez que enterrava a enxada na terra, para revolve-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento.
Acercando-se dele, o imperador falou:
"Vim até aqui para pedir sua ajuda. Quero que me responda a três perguntas”:
Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?"
O eremita ouviu-o atentamente, mas não respondeu.
Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse:
"Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão no seu trabalho".
Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar.
Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e, voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas.
Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse:
"Por que não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo".
Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar.
Assim se passaram as horas, até que o sol começou a se esconder atrás da montanha.
O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita:
"Eu vim até aqui para ver se você seria capaz de responder minhas três perguntas.
Mas se não puder respondê-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa".
Levantando a cabeça, o eremita perguntou:
"Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?"
O imperador voltou a cabeça e, de repente, à frente de ambos, surgiu de dentro do mato um homem com longa barba branca.
Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem, o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo.
O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos minutos.
O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando, até parar de sangrar.
Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água.
O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca.
Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir.
O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama.
O homem fechou os olhos e adormeceu.
Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinando a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu.
Quando despertou, o dia já estava claro.
Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali.
Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor.
Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:
"Perdoe-me, por favor".
"O que fez você para que eu o perdoasse?" - respondeu o imperador.
"Vossa Majestade não me conhece, mas eu o conheço.
Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas.
Quando soube que V. M. vinha sozinho até aqui, resolvi surpreendê-lo no seu caminho de volta, e matá-lo.
Como não consegui vê-la após ter ficado escondido por horas a fio, decidi sair à sua procura.
Mas ao invés de encontrar V. M., dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr até aqui.
Se eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora.
Eu tencionava matá-la e V. M. salvou a minha vida.
Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido.
Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos.
Por favor, dê-me o seu perdão".
O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente.
Não só lhe perdoou como também prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente.
Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até seu lar, o imperador voltou a ver o eremita.
Queria, antes de retornar ao palácio, repetir suas três perguntas, uma última vez.
Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado no dia anterior. Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse:
"Mas suas perguntas já foram respondidas". "Como assim?" - indagou o imperador intrigado.
"Ontem, se V. M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa.
Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante foi eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar.
Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem seu socorro ele teria morrido e V. M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele.
Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar de seu ferimento.
Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora.
O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio.
A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente.
E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz".
Esta é a estória das três perguntas do imperador.
Ele poderia continuar a reinar satisfeito, sem o risco de cometer nenhuma falha, somente se conseguisse a resposta para as seguintes perguntas:
Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?
O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse capaz de responder às perguntas.
Inúmeras pessoas se dirigiram ao palácio oferecendo diferentes respostas.
Em resposta à primeira pergunta, alguém aconselhou o imperador a fazer um planejamento completo, dedicando todas as horas, dias, meses e ano a certas tarefas constantes da programação elaborada e observá-lo ao pé da letra.
Só assim teria ele possibilidade de fazer cada coisa no tempo certo.
Uma segunda pessoa respondeu que seria impossível planejar com antecedência, que deveria deixar todo e qualquer divertimento vão de lado e permanecer atento a tudo, a fim de saber o que fazer na hora certa.
Uma terceira disse que o imperador jamais poderia, por si próprio, ter a previsão e competência necessária para decidir quando fazer cada coisa, e que o que ele realmente precisava era constituir um conselho de sábios e agir de acordo com o que fosse determinado por estes.
Uma quarta, enfim, disse que certos assuntos requeriam providências imediatas, não podendo assim esperar por decisão de conselho, mas se o imperador quisesse saber dos acontecimentos com antecedência, deveria consultar mágicos e adivinhos.
As respostas à segunda perguntam também não foram satisfatórias.
Uma pessoa disse que o imperador devia depositar toda sua confiança nos administradores, outra, nos padres e monges, outra, nos médicos, e, outras ainda, nos guerreiros.
A terceira pergunta trouxe uma variedade similar de respostas.
Alguns disseram que a coisa mais importante a fazer era a ciência.
Outros falaram em religião.
Outros ainda achavam que a coisa mais importante era a arte bélica.
Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.
Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado.
Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres.
Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. Disfarçado de camponês, o imperador ordenou aos seus criados que o esperassem ao pé da montanha enquanto ele subiria sozinho.
Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador o viu lavrando a terra da horta em frente à sua pequena cabana.
Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar.
O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, e toda vez que enterrava a enxada na terra, para revolve-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento.
Acercando-se dele, o imperador falou:
"Vim até aqui para pedir sua ajuda. Quero que me responda a três perguntas”:
Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?"
O eremita ouviu-o atentamente, mas não respondeu.
Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse:
"Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão no seu trabalho".
Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar.
Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e, voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas.
Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse:
"Por que não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo".
Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar.
Assim se passaram as horas, até que o sol começou a se esconder atrás da montanha.
O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita:
"Eu vim até aqui para ver se você seria capaz de responder minhas três perguntas.
Mas se não puder respondê-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa".
Levantando a cabeça, o eremita perguntou:
"Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?"
O imperador voltou a cabeça e, de repente, à frente de ambos, surgiu de dentro do mato um homem com longa barba branca.
Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem, o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo.
O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos minutos.
O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando, até parar de sangrar.
Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água.
O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca.
Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir.
O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama.
O homem fechou os olhos e adormeceu.
Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinando a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu.
Quando despertou, o dia já estava claro.
Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali.
Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor.
Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:
"Perdoe-me, por favor".
"O que fez você para que eu o perdoasse?" - respondeu o imperador.
"Vossa Majestade não me conhece, mas eu o conheço.
Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas.
Quando soube que V. M. vinha sozinho até aqui, resolvi surpreendê-lo no seu caminho de volta, e matá-lo.
Como não consegui vê-la após ter ficado escondido por horas a fio, decidi sair à sua procura.
Mas ao invés de encontrar V. M., dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr até aqui.
Se eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora.
Eu tencionava matá-la e V. M. salvou a minha vida.
Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido.
Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos.
Por favor, dê-me o seu perdão".
O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente.
Não só lhe perdoou como também prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente.
Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até seu lar, o imperador voltou a ver o eremita.
Queria, antes de retornar ao palácio, repetir suas três perguntas, uma última vez.
Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado no dia anterior. Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse:
"Mas suas perguntas já foram respondidas". "Como assim?" - indagou o imperador intrigado.
"Ontem, se V. M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa.
Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante foi eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar.
Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem seu socorro ele teria morrido e V. M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele.
Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar de seu ferimento.
Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora.
O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio.
A pessoa mais importante é aquela que está à sua frente.
E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz".
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
O homem na arena
"Não é a crítica que conta, não é o homem que aponta como o forte tropeça, ou como o executor de façanhas poderia fazer melhor.
O crédito pertence ao homem que está de fato na arena, cuja face está marcada por poeira, suor e sangue;
Que luta com valentia;
Que erra e que fracassa, de novo e de novo, pois não existe esforço sem erros e sem fracassos;
Pertence àquele que luta para de fato realizar a façanha, que conhece os grandes entusiasmos, as grandes devoções;
E que se dedica a uma causa nobre.
Que no seu melhor, conhece no fim o triunfo da grande conquista,
e que, no seu pior, caso fracasse, pelo menos fracassou enquanto ousava muito.
Então seu lugar jamais será com as frias e tímidas almas que não conhecem a vitória e nem a derrota."
Theodore Roosevelt em discurso na Universidade Sorbone, em Paris, em 23 de abril de 1910.
Assista essa cena do programa "Temporada no Inferno", do History Channel.
https://www.facebook.com/ateuindiferente/videos/427926367861107/?t=92
O crédito pertence ao homem que está de fato na arena, cuja face está marcada por poeira, suor e sangue;
Que luta com valentia;
Que erra e que fracassa, de novo e de novo, pois não existe esforço sem erros e sem fracassos;
Pertence àquele que luta para de fato realizar a façanha, que conhece os grandes entusiasmos, as grandes devoções;
E que se dedica a uma causa nobre.
Que no seu melhor, conhece no fim o triunfo da grande conquista,
e que, no seu pior, caso fracasse, pelo menos fracassou enquanto ousava muito.
Então seu lugar jamais será com as frias e tímidas almas que não conhecem a vitória e nem a derrota."
Theodore Roosevelt em discurso na Universidade Sorbone, em Paris, em 23 de abril de 1910.
Assista essa cena do programa "Temporada no Inferno", do History Channel.
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